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30.11.08"SEU NOME, PEDRA DE SAL NA MINHA BOCA"
29.11.08Porra doce Porque todo mundo tem seu dia de Nome Próprio.
24.11.08Fórmula do sucesso de um escritor da madrugada Coca Cola gelada + Lucky Strike mentolado = câncer twist.
23.11.08Dia 12 da Nova Era do Aquecimento Global Já começo a me esquecer como o sol se parecia, na época em que não chovia. Vocês lembram? Tinha uma coisa meio brilhante, amarelada. Era bonito...
20.11.08IR AO CINEMA, por Preston Sturges
19.11.08O Brasil ainda tem jeito Em Todo Seu, programa de variedades que passa todo dia na TV Gazeta, Ronnie Von está recebendo neste momento o Magic Slim (digamos assim: depois do Muddy Waters, vem ele). Na tevê aberta, numa noite de quarta-feira, tocando ao vivo com a banda inteira.
A ex-capital Will Oldham (a.k.a. Bonnie "Prince" Billy) vem ao Brasil essa semana para tocar em São Paulo, Salvador e Porto Alegre. Mas o Rio, vivendo seus dias de província, disse "obrigado mas não, obrigado". Com o verão batendo na porta, a cidade bem poderia usar um pouco de boa música folk para aliviar a soberania das periguetes, descontroladas e congêneres.
18.11.08Police+business "Sorte de hoje: Jogue com esses números na loteria: 5, 12, 39, 43, 62, 87". Depois de ser dominado por brasileiros, o Orkut trabalha agora para que alguns deles fiquem milionários e, aproveitando a onda do momento, matem-se uns aos outros na briga pela divisão do prêmio, tenham seus perfis apagados (depois de um período obrigatório de luto, é claro) e finalmente diminuam os problemas de sobrecarga do servidor. E ainda tem gente que se pergunta porque o Google é a empresa que mais cresce no mundo.
17.11.08A maior democracia do mundo "Qualquer presidente deve ter normalmente uns 30% de chance de ser morto. Ele, sendo negro, tem uns 50%." (Robert Drew, o diretor de Primárias, em entrevista à Folha)
Ode à blogosfera A pior coisa de um cara feito eu comer uma estrela pornô pela primeira vez na vida numa madrugada de domingo é que não se tem ninguém por perto para contar a notícia depois.
14.11.08Na rua e na chuva Anteontem, na volta para o Rio, escrevi uma música no ônibus. A primeira que componho desde "Anjos no Elevador", meu juvenil e ainda inédito hit de oito anos atrás, quando eu era um moleque, tinha uma banda e precisava dizer para a minha namorada que ela tinha que gostar de mim maluco daquele jeito mesmo, e onde eu rimava "amor" com "dor". Esse caminho entre o Rio e Vitória eu conheço bem, são quatro anos indo e vindo, e noites como aquela, lua cheia, céu aberto e claridade irremediável, simplesmente pedem por algum tipo de poesia de beira de estrada. Foi o caso de meu fone de ouvido parar de funcionar no meio do disco do Bon Iver, e então éramos eu e a falta de sono, com o monte da Freira e do Frade passando pela janela. Peguei um papel e comecei a escrever cantarolando, como fazem aqueles que não tocam nenhum instrumento. O resto do caminho eu vim pensando em comprar um violão. Era uma promessa desde que fiz meu filme sobre o Bob Dylan, em outubro do ano passado. Não comprei, não aprendi, e a única coisa que sei tocar ainda é "True Love Waits", do Radiohead, graças a paciência do meu amigo Zé (que agora é um publicitário bem de vida em São Paulo e talvez nem toque mais "True Love Waits"). Comprar um violão e aprender a tocar sozinho, músicas de poucos acordes, até conseguir preencher de notas aquela que escrevi ali no ônibus, enquanto a lua brincava de mudar de lado a cada curva. Mas aí o Hyldon acabou de me mandar um convite para o MySpace. E agora que tenho um, tá feito: projeto 2009 - lançar uma carreira voz-e-violão.
12.11.08Giramundo E aí que "Evaporar", última música do Little Joy, bem poderia figurar em Sou. O que nem na cabeça mais ingenuamente esperançosa do mundo queira dizer que Amarante e Camelo algum dia voltem a tocar na mesma banda. "For no ones better sake", se é que vocês me entendem.
11.11.08O should've-been negão Num universo em que as pessoas fossem decentes e George Bush fosse um bom presidente, seu sucessor ideal seria também negro. Não deu pro Colin Powell, mas essa entrevista dele pós-eleição de Obama diz muito sobre o grande político que ele ainda não pôde ser completamente (sobretudo por não conseguir se livrar das más companhias). Num universo ideal, também, ele seria o próximo Secretário de Defesa do novo comandante-em-chefe.
6.11.08Pokémon de Jesus Acabo de chegar em Vitória, numa passagem super rápida. Venho a convite dos meninos queridos da Segunda-Feira Filmes para participar de um debate da mostra itinerante José Dumont - O Homem Que Virou Cinema, que acontece nesta sexta-feira (mais conhecida como amanhã, dia 7), junto do Erly Vieira Jr. e do próprio Zé Dumont, o que só pode garantir um excelente papo e uma esticada ainda melhor num bar qualquer. Quem estiver na cidade, apareça por lá: sexta, 21h, no Cine Metrópolis (e, de lambuja, às 19h ainda será exibida a cópia restaurada de O Homem Que Virou Suco, grande filme do João Batista de Andrade e primeiro protagonista no cinema do Zé).
5.11.08God bless the child that's got his own Comprem o The New York Times de hoje. Em 40 anos, valerá uma pequena fortuna.
4.11.08Caderno de sonhos Eu cantava numa banda, e nós fazíamos um show numa espécie de clube de funcionários de alguma empresa. Numa hora, no solo do tecladista, vou correndo ao banheiro do camarim. A porta da privada está fechada, então vou ao mictório logo do lado. Ouço o barulho da descarga sendo puxada sem interrupção, e o som de borbulhas na água: resolvo checar. Quando abro a porta, vejo dentro da privada um pequeno corpo completamente mergulhado, boiando, todo coberto de merda. Chego perto daquilo que seria a cabeça daquele corpo, e a levanto: é um bebê, e com a cabeça fora d'água ele puxa o ar como quem ainda não acha que é hora de morrer. Retiro o bebê da privada, ele respira muito mal, os olhos estão prestes a se apagar. Correndo pelo palco, vou com o bebê no colo para a rua, buscando um táxi para me levar a um hospital. Quando vêem a situação (rapaz desesperado com bebê no colo, ambos fedendo a merda), todos os taxistas se negam a nos apanhar. Finalmente entramos num carro, e agora o bebê está melhor. Ainda que parecesse pequeno na privada (do tamanho de um feto, talvez), agora ele tem o tamanho de uma criança de dois anos, e já fala muito bem. Pergunto sobre o pai, ele não sabe responder. Pergunto sobre a mãe, e ele me diz em inglês: "shot dead in the face". É quando passamos por uma cena na rua, uma ambulância retira de uma casa o corpo de uma mulher com o rosto destruído por um tiro. O garoto (é um menino, e agora parece uma criança de cinco anos) vai à janela do carro e se despede com um aceno do corpo morto da mãe. Depois me abraça. Quando chegamos ao hospital, ele já tem dez anos, e me chama de "pai". Depois de alguns dias internado, ele já está finalmente curado. A enfermeira vem me entregá-lo, saído direto da incubadora: meu novo filho voltou a ser um recém-nascido, lindo, olhos abertos, respiração vibrante, descobrindo meu rosto com suas mãozinhas. Volto para o show, e o solo do tecladista ainda não terminou. Canto a última parte da música com minha criança nos braços, para o delírio da platéia.
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