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atual

29.7.08

Por ele mesmo Busco na estante o Introdução ao Cinema Brasileiro só pra confirmar a data em que foi escrito, uma informação que vai passar corriqueira por uma frase da monografia, e enquanto o folheio, descubro que meu exemplar é autografado pelo próprio Alex Viany - coisa que eu não sabia quando o comprei, nem muito menos o livreiro, uma vez que os sebos aproveitam livros autografados pra ganhar dinheiro em cima dos leitores com tendências museológico-necrofílicas. Mas, estranhamente, é um autógrafo "vivo", não só porque ilegível (reconheço que foi dedicado a um Reinaldo Varela, mas a mensagem carinhosa que se segue é indecifrável; reconheço também que foi assinado no Rio, em 14 de dezembro de 1987), mas porque a assinatura do Alex parece um daqueles rabiscos que os nossos velhos professores de matemática faziam nos quadros-negros: uma seta que faz duas curvas e termina num "V" (de Viany), mas que é graficamente como uma placa de sinalização, que aponta para a direita da primeira página, e em última instância, pra dentro do livro. Como se dissesse: "me procure aí dentro, porque é aí que estou".

Agora vou ter que reler esse livro com essa suposição esotérica em mente. É possível que mude minha percepção. Mas é possível que seja só retórica de blog também.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 14:33 contato

28.7.08

L'HOMME QUI REGARDE (II)






Pocilga, de Pier Paolo Pasolini, com Pierre Clementi

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:15 contato

26.7.08

Amar é... Você sabe que o troço é sério quando baixa o disco novo da Alanis Morissette, a essa altura do campeonato, só porque te afirmaram que a música tal "diz muito sobre nós dois".
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 01:57 contato

24.7.08

CONSERVAI, SENHOR, O MEU SENSO DE HUMOR!


Bertrand Duarte, o segurança da Donatela, em (super)outros tempos...

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 05:10 contato

Casa de Loucos: o blog oficial do Ary Fontoura, do Godard e das piadinhas neo-realistas que envolvem fluídos humanos.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 04:39 contato

23.7.08

A Favorita As cenas mais tensas da novela até agora. Primeiro, Donatela (a mulher do Celulari) invade o apartamento de Silverinha, e descobre que ele está acobertando sua arqui-inimiga Flora (a mulher do Ciro). Confronto verbal dos fortes, Ary Fontoura em close irrespirável, à medida que despeja sua carga de verdades pra cima da mulherona, vai ficando vermelho e salivando de um jeito que faz a gente temer pela vida do ator. Cláudia Raia é Katherine Hepburn perto de Patrícia Pillar, cachos-loiros-que-riem-e-dissimulam. O tempo inteiro da cena, um segurança de Donatela fica no fundo do quadro, escondido pela sombra do apartamento escuro. Corta para Donatela indo pra casa do sogro e da sogra, denunciar a farsa de Silverinha. Corta para o suposto apartamento onde Flora vive (tudo uma armação, pra fazer a Cláudia Raia se ferrar), e aí dá-lhe Donatela quebrando a cara na tentativa de desmascarar a cachinhos-dourados, tudo isso sendo assistido de perto por três personagens: a filha de Flora, Laura (Mariana Ximenes, em chave sou-adolescente-problema), Dona Irene, a sogra-avó (a mulher do Tarcisão) e o segurança, que agora vemos, porque está na claridade, ainda que siga mudo, e fazendo cara de segurança. Ao leitor que não acompanha a novela: estas duas seqüências são simplesmente o resumo de toda a trama central, e a última, particularmente, tinha ali, contracenando, as quatro personagens mais importantes da novela inteira. As quatro, mais o segurança entra-mudo-e-sai-calado, que é interpretado por ninguém menos que Bertrand Duarte (o Superoutro em pessoa) - o que não deixa de significar que ele, no fundo, estava era cagando pra tudo aquilo.

(meu termômetro de "piada de cinéfilo" explodiu nesse post, hei de confessar)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 21:32 contato

Anedotário (IV) A embalagem diz: "iogurte desnatado sabor granola e frutas secas". Mas a embalagem também diz: "validade: 08 07 08", o que talvez explique o fato de que, antes das granolas e das frutas secas, o gosto seja de "coisa", simplesmente. Iogurte de coisa velha: meu almoço.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 15:11 contato

Anedotário (III) Os contatos com a espécie humana se reduziram aos ruídos que ela produz. Conversas ao telefone com minha mãe, os barulhos da vizinha de cima, que sempre chega do trabalho por volta das 20h, junto com o filho pequeno que resgata na creche, e é reconfortante ouvi-la brigando com o moleque para que ele tome banho "à sério" (como se isso fosse possível a um menino de, imagino, 4 anos de idade). Fora isso, o som da minha própria voz, que exercito de duas maneiras. Primeiro, cantando, geralmente durante o banho: uma seleção de músicas animadas, que coloco para tocar exatamente por assim o serem. Segundo, falando sozinho, sempre em inglês (o que, na minha cabeça, tira do ato de falar sozinho o aspecto de loucura patológica). Coisas sem nexo, ditas no caminho entre a cadeira do computador e a cafeteira sempre ligada: "Pocilga. Porcile, it's the original name. Porcile. Por-cile. Italians, nice accent. Pórr-tchí-lé. Poor Chile. Poor Chile, what a sad country. Well, not that poor. Is Pasolini in heaven or hell? Heaven, definetly: cutter angels. Angels must look like Pierre Clementi. Like Pierre Clementi in Porcile. Poor Chile...". Pronto, caneca de café cheia, de volta ao computador. Mas a madrugada é um espaço de silêncios, e para não maculá-lo, tiro do aparelho de som qualquer música com vocais. Baixei a coleção de 18 discos lançados pelo Bill Evans na Verve, e nem me importo com a ordem: botão direito sobre a pasta, "executar tudo". Os cinco primeiros discos são de estúdio, straight jazz, direto ao ponto. O sexto começa a tocar, mas eu nem sabia que era o sexto: tudo uma massa sonora só. São 3 da manhã, os olhos pesados, a cama implorando por companhia, e eu sei que só vou dormir quando terminar de escrever aquele subcapítulo. Silêncio, no hay banda: só a banda do Bill Evans, claro, mas são instrumentos, exclusivamente instrumentos. Vou à sala, pegar uma maçã, abro a geladeira, bebo água do gargalo. No quarto, um som insuspeito, som humano, cordas vocais de alguém que está aqui comigo e eu nem sabia. "Ok, Bill, let's do it again. Take 2". Ainda olhando para a geladeira, aquele efeito hipnótico da lâmpada sobre nosso olho, respondo, em voz alta, e agora em português: "não precisa, cara. O primeiro take foi perfeito". Mas os caras não me ouviram. Tocaram a música outra vez. E, olha, eles tinham razão: a segunda execução ficou melhor.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:44 contato

Anedotário (II) Os livros estão aí, as páginas no computador estão em branco, e não há tempo a perder. Com o catálogo da Mostra do Grupo Dziga Vertov aberto, lendo um parágrado importante, a vontade de mijar é cruel, implacável. Sigo com o catálogo aberto, na mão direita, lendo o tal parágrafo importante. "... quando o filme estava sendo exibido em Berkeley e San Francisco, alguns críticos fizeram objeções ao 'lixo visual', mencionando que Glauber Rocha supostamente teria criticado o filme por ser 'demasiadamente belo'". Os olhos não saem da página, nem por um segundo. A mão direita está ocupada, e a mão esquerda (a "mão-ruim") vai fazendo o trabalho a que nunca esteve realmente habilitada. Acende a luz do banheiro, resgata o aparelho mijatório no meio da cueca, exibe-o para a privada já aberta, e a natureza faz o resto sozinha. O parágrafo termina, "... Rocha lamenta que um artista tão talentoso como Godard (que ele compara a Bach e Michelangelo) não tenha mais fé na arte, procurando, em vez disso, 'destruí-la'", e finalmente posso tirar os olhos do livro - para então perceber que meu chinelo está pousado numa enorme poça de um líquido que não consigo identificar. Por um instante, penso em largar tudo e ir fazer qualquer outra coisa: porra, mijei no meu próprio pé. Mas não era isso, só a água da máquina de lavar, que tinha vazado sei lá por onde.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:21 contato

Anedotário (I) Três dias fechado em casa, as únicas saídas são para levar o lixo até o depósito do prédio (uma portinha que fica ao lado do elevador, no fim do corredor). Pensando nas conseqüências circulatórias de se passar tanto tempo vivendo num espaço curto de um quarto-e-sala, largo as sacolas de lixo na portinha e volto correndo em passos largos, um efeito-Pernalonga, digamos. Páro na minha porta, as luzes acesas por aqueles sensores de presença. Sinto o sangue correr pelas pernas. Por que não um segundo sprint? São 2 da manhã, e ninguém está vendo. Volto correndo até a lixeira do prédio e o elevador, dessa vez em passos curtos e elásticos, elevando os calcanhares até as nádegas (como no aquecimento que faço antes de jogar uma partida de basquete, por exemplo). Chego ao elevador - devem ser uns 25 metros de lá até aqui. Sinto as pernas vibrarem. Para retornar ao apartamento, e à vida monográfica, decido por um exercício mais relaxante. E os últimos metros desta caminhada noturna são dados no ritmo da marcha atlética: sem tirar os pés do chão, braços postos em ângulo de 90º, bunda malemolente, entre a mulata e a dançarina do ventre. Mas ninguém estava vendo.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:12 contato

22.7.08

APENAS COMEÇAMOS


Weekend, Godard 67

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 16:40 contato

21.7.08

PADRÃO GLOBO DE QUALIDADE

Conversa entre Silveirinha (Ary Fontoura) e Flora (Patrícia Pillar), agora a pouco em A Favorita:

- Tenho ótimas notícias. O Dodi foi se encontrar com o Doutor Salvatore, o médico que testemunhou a favor da Donatela.
- E aí?
- E aí que ele descobriu um segredinho do Salvatore, e ele agora vai ter que ficar do nosso lado.
- Que segredinho é esse, Silverinha?
- O Doutor Salvatore dorme na caixa.
- Como assim, "dorme na caixa"?
- Ai, Flora... O que é que dorme na caixa? Sapato e boneca!
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:13 contato

19.7.08

The state that I'm in Mas apesar do verso aí ao lado, não é de Belle & Sebastian, mas do disco novo do Beck (puta disco, by the way) que este post vai sendo feito. Minha monografia anda a passos lentos (e absolutamente não poderia ser assim, uma vez que tenho alguns poucos dias para entregá-la). Mas a verdade é que o processo dos últimos meses tem sido uma redescoberta franca e emocionada do prazer em pensar sobre cinema. Depois de três anos mergulhado quase integralmente na insanidade produtiva - escrever, escrever e escrever -, esse passo para o lado - ler, ler, ler - surge como uma revelação mesmo. É isso que tem me feito enrolar tanto: os livros vão aparecendo nas minhas mãos, um trecho de um puxa um trecho de outro, a memória de algo lido anos atrás me faz retomar certos teóricos, eventualmente alguns filósofos, fatalmente um ou dois xamãs, em uma situação específica a Bíblia, e depois O Capital. Há esse grande mito citacional em torno da escritura acadêmica: é preciso reverberar suas idéias mais estapáfurdias em provas materiais, com autor, data e editora, de alguém que já disse algo parecido antes de você. Ou pelo menos, saber distorcer o pensamento alheio de forma a melhor justificar as tais estapafurdices (acho que criei um neologismo). E as frases ficam me varando feito dardos, e a cada uma delas, a sensação de que o que tenho a dizer talvez seja único. E certamente não é, nem único nem inédito. Mas foi preciso esse tempo todo (isso é um recado, sobretudo, para minha mãe, leitora desse blog e pessoa mais preocupada com minha formatura e futuro encaminhamento na vida), enfim, foi preciso esse tempo todo para que tudo isso se tornasse realmente meu. Hoje eu olho para o cartaz do Bang Bang pendurado em cima da minha cama e digo, de mim para mim mesmo: "essa porra é minha, me pertence inegavelmente, me transtorna e me transborda". Se o que eu vou escrever sobre o filme vai realmente dar conta desse sentimento de pertencimento, eu não sei. Mas foi preciso esse tempo, esse esforço e (novamente, desculpa mãe, mas foi inevitável) uma dose colossal de café e um cigarro (eu não fumo, mãe, juro; mas tinha um cigarro velho aqui em casa, e eu o acendi - cigarros normais me dão um barato muito maior que qualquer outro, talvez pelo meu histórico asmático), enfim, foi preciso isso tudo, e mais Modern Guilt e um texto muito bom e incrivelmente equivocado do José Carlos Avellar ("Vozes do Medo", publicado em 1986, que acabei de ler entre cafés, um cigarro e a indefectível geléia de morango caseira que eu faço, a quem minha monografia será dedicada) para que eu viesse aqui denunciar publicamente minha charlatanice e meu amor por isso que renovou minha fé no cinema: eu bebo essa imagens, e eventualmente as fumo, enrolandas numa seda emprestada por um amigo qualquer, mas estou finalmente entendendo o que significa lê-las. Depois de um tanto de livros, e o triplo de filmes, eu volto a acreditar na palavra, e que ela é um instrumento tão legítimo de aproximação do cinema quanto qualquer outro. Mais ainda, volto a acreditar que essas palavras tornam esse cinema mais meu, mais intransferivelmente meu, mesmo que realizado por um jovem ítalo-paulistano nos anos 70.

Mas mãe, eu juro: me formo ainda nesse semestre. Ju-ro.

(...)

Update: resposta da minha mãe, via Orkut:

"Achei uma justificativa para o que está ocorrendo com a sua monografia, foi o Drummond, o mestre que me deu um alento:

Poesia
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Espero que a poesia deste momento que você está vivendo inunde sua vida inteira. E sobretudo, aguardo a formatura. Bjs"

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 18:52 contato

Saturday sun, came out in one morning Se estivesse vivo, Nick Drake hoje faria 60 anos. E seria um velhinho muito bacana.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 10:41 contato

17.7.08

COMO NÃO AMÁ-LO?
(e mais ainda: como não amá-lo em detrimento de outrem?)


"Em A Noite princípio e fim são absolutamente simétricos, com os personagens repetindo-se a si mesmos, não alcançando nenhuma modificação. (...) As figuras dos cartoons de Chuck Jones também estão nesta situação. Bip-Bip e Coiote repetem eternamente as mesmas peripécias, correm por um espaço enorme mas retornam sempre ao mesmo ponto de partida. (Como em Antonioni, a ação passa-se em um campo aberto, vazio e interminável, onde a linha horizontal impõe a eternidade das situações). Coiote tenta vingar-se, mas sai perdendo sempre. Sofre quedas de montanhas altíssimas, esborracha-se contra caminhões em alta velocidade, que o castigam mas não o matam. Também são heróis sem saída. Sofrem mas não morrem. Não tem o dom da morte, porque esta seria uma alternativa. Não há soluções. A própria imortalidade também pode ser uma condenação."

(Rogério Sganzerla, em "Becos Sem Saída", texto publicado no Suplemento Literário do Estadão, em 1964)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 10:57 contato

15.7.08

THE EMPTY BOAT


Antônio Luis Martins nos planos finais de Meteorango Kid - Herói Intergaláctico, de André Luiz Oliveira

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 21:48 contato

14.7.08

My day, so far Acordei às 10h15 (porque o celular novo, que é lindo, leve, moderno, tira foto em sépia, é vibrador tanto de alerta quanto sexual e o caralho a quatro, também morre na bateria sem avisar - celular pra mim é despertador, antes de qualquer coisa). Demoro duas horas para começar a funcionar, então sempre acordo às 8h, para às 10h iniciar a vida. Sem despertador, hoje só 12h15 eu conseguiria chegar à terra onde habitam isso que comumente chamamos de "pessoas" [reparem no post abaixo, horário: 12h14 - one minute left to launch]. Pois fiz o que faço sempre: banho quente, a obsessão de limpar as orelhas com cotonete toda manhã, duas canecas de café, pão com geléia de morango e queijo minas, checar e-mails, ouvir os discos que deixei baixando na madrugada. 12h15 eu senti que estava pronto. Fui forrar a cama, e finalmente abrir a janela. Céu azul e sol, apesar desse frio do inverno carioca, que é inigualável. A culpa doméstica me fez adiar a chegada à vida por mais uns minutinhos: um dia bonito desses, uma vez que se more sozinho, não inspira grandes poemas parnasianos ou audições da trilha sonora de Hair aos pulos e berros; precisava aproveitar o sol para lavar roupa - e o pior, no quesito roupa: lavar lençóis brancos. Começo o ritual, dispor os lençóis na máquina, esticar a extensão elétrica, colocar mais amaciante que o fabricante diz que devo colocar, escolher um ciclo ("brancos encardidos", os lençóis e eu). E então algo que não acontecia comigo desde criança: fui ligar a tomada, pés descalços sobre o chão molhado, e tomei um choque muito (eu disse muito) forte. Xinguei em inglês, porque isso me faz sentir menos maluco. Olhei pro meu dedo, estava roxo-Prince. Pus a máquina pra funcionar, a água já caia lá dentro. Minhas mãos tremem normalmente, mas agora elas aproveitaram a carga elétrica para se jogar compulsivamente contra o ar como se duas britadeiras fossem. Aumentei o som: um disco antigo do Woody Guthrie (qual disco do Woody Guthrie não é antigo?). Baixei a tampa do computador, onde a página em branco da minha monografia me dizia "vem!". No sofá, decidi esperar a adrenalina do choque passar. Era 12h25. Apaguei. Acabo de acordar. O dedo já está na cor normal, as mãos voltaram a tremer do modo tradicional, o café passou 4 horas queimando na cafeteira, desce pela garganta com um sabor de merda. E levei bons 10 minutos pra lembrar de toda essa seqüência de eventos que acabei de narrar. Os lençóis estão pendurados no varal, e agora este branco encardido precisa trabalhar. Sem saber exatamente por onde esteve nas últimas horas. Meu dia, até agora.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 16:50 contato

Enquanto no café da manhã É incrível a quantidade de tempo que eu perco diariamente pensando em como economizar tempo.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:14 contato

Viva o cinema brasileiro Disputa cabeça-a-cabeça no e-mule: Vidas Secas começou igual, mas em uma hora de download, tinha mais de 200 fontes disponíveis, enquanto Tempo de Diligências, a cópia restaurada e com faixa de comentários, tinha pouco mais de 40. Foi um dos filmes mais rápidos que já baixei na vida e-múlica. Cinema Novo de volta à moda. Ou isso ou a molecada que estuda pro vestibular não quis encarar o Graciliano Ramos obrigatório pra prova, e deu uma burlada vendo o filme. É, aposto mais na hipótese da molecada.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 11:09 contato

10.7.08

L'HOMME QUI REGARDE






En La Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerín, com Xavier Lafitte

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 02:58 contato

9.7.08

Repete como farsa Caiu na internet o roteiro rejeitado que Michael Bay escreveu para o Batman que está para estrear agora. Uau! Mesmo se tratando de uma sacanagem de algum nerd americano, poucas vezes eu vi um crítico de cinema ser tão preciso ao comentar o estilo michael-bayano de fazer filmes. É uma pérola.

"We pan to a beautiful woman: platinum blonde with a huge rack. She is the hottest woman in the world, but she wears glasses because she is also the smartest woman in the world."
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 17:54 contato

8.7.08

ANTOLOGIA DOS MEUS MELHORES MOMENTOS


Belchior e Los Hermanos, cantando A Palo Seco no Canecão, em 27 de junho de 2006.
O Brasil tinha acabado de ganhar de Gana nas oitavas-de-final da Copa da Alemanha, saímos todos da casa do Léo para o show.
Assisti bem dali de onde esta moça gravou tudo, e do mesmo jeito: tremido, imagens borradas, lacrimejantes.

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 10:14 contato

Lógica chavista, kikesca e chiquinhistica Cada vez que um programa de televisão brasileiro faz uma matéria sobre os 50 anos da Bossa Nova, uma criança morre na China. Se há algum senso humanitário nas redações deste meu Brasil varonil, por favor, parem de matar criancinhas chinesas e suspendam já todo e qualquer material de arquivo que contenha violão, banquinho, gente morta quando jovem e referências a episódios pitorescos envolvendo João Gilberto e aparelhos de ar condicionado em teatros nova-iorquinos.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 01:09 contato

7.7.08

Menos é mais Dica do Daniel Caetano: saiu ontem no caderno Mais da Folha de São Paulo uma crítica do Fernão Ramos sobre nosso livro Serras da Desordem (para assinantes do UOL ou da Folha, o acesso é livre).

Palavras do Daniel, no novo blog dele: "A diagramação da página deu bastante destaque ao lançamento, com três fotos num tamanho bacana. A crítica foi escrita pelo Fernão Ramos e ele deixou claro que não gostou porque se incomodou com a "falsa questão" sobre o imbricamento que o filme cria entre documentário e ficção - para ele, o filme é um documentário e ponto final. Beleza, a gente até pode invocar a "palavra do autor" e lembrar que o próprio Tonacci já definiu o filme como uma ficção em mais de uma oportunidade - mas, sinceramente, a opinião do Tonacci vale porque ele é genial, mas pra explicar que o filme é ficção e também é mais que isso (e que, sendo bem claro, dividir eternamente o cinema entre documentário e ficcão é caretice) vai ser preciso escrever um pouco mais."

É mais ou menos por aí.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 14:49 contato

5.7.08

BRITNOEL SPEARS

Todo mundo sabe que o Noel Gallagher disse num jornal inglês que Glastonbury era um festival de rock importante demais para ter, no encerramento de uma noite, um show sem guitarras (falando diretamente contra o Jay-Z, que estava escalado para o tal encerramento). E todo mundo sabe também qual foi a resposta do Jay-Z, mas talvez nem todo mundo a tenha visto (eu pelo menos não tinha, e ela está aqui). Daí que vi o clipezinho agora de tarde, no meio de uma arrumação da casa que ficou muito mais divertida depois que eu decidi desenterrar um velho disco do Oasis, para animar a lavação de louça. Fuckin' Oasis, man, what can I say? Há pelo menos 5 anos eu não ouvia o Familiar to Millions, que deve ser um dos grandes discos ao vivo dos anos 90. Um disco que tem, de um mesmo lado, "Wonderwall", "Live Forever" e "Champange Supernova" entremeadas por versões de "Hey Hey My My" e "Helter Skelter" não pode ser outra coisa que não uma obra-prima. E as intervenções do Liam durante o show, bloody hell, só fazem lembrar ainda mais o quanto era primitivo (no melhor dos sentidos) ser um fã do Oasis. Era com o fôlego redobrado que eu gritava refrões tão infantis como "tonight I'm a rock'n'roll star", e o melhor: a mesma infantilidade estava lá, presente nos vocais originais. A verdade é que uma das melhores coisas de ter sido adolescente nos anos 90 foi poder passar do grunge ao brit pop e acreditar que isso era, de fato, uma "evolução" (do gosto, da sensibilidade, sei lá), uma vez que hoje eu percebo que o melhor do Oasis (e do Blur, em menos escala) é justamente o inabalável apelo regressivo - essa coisa da irresponsabilidade fofa, da megalomania teimosa, de uma série de coisinhas bestas que se fazem quando se é adolescente e que pareciam ecoadas por aqueles sujeitos e suas guitarras cheias de marketing e fúria.

E, no mais, sigo cantando o disco inteiro, de cabo a rabo, sem ter esquecido um verso sequer. Mas, crescido que sou, só volto a escutá-lo outra vez daqui mais 5 anos. See ya, mates!
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:33 contato

4.7.08

Vendredi soir Um amigo que há muito não vejo liga dizendo que descobriu um barzinho numa ladeira aqui do lado de casa, onde rola uma bandinha de jazz ao vivo. "Eles estão no intervalo, vem pra cá". É um ambiente pequeno, boteco em que os músicos mal cabem lá dentro, e a fila do banheiro se dá em frente à bateria (é de se pensar quantas vezes uma pessoa apertada não foi atingida sem querer pela baqueta do pobre músico). No centro daquilo que chamam de palco, diversos badulaques ostentam um retrato de Zé Bonitinho em Abismu, meu filme preferido do Mr. Sganzerlá. A banda deve ter um nome, mas eu nunca o saberei. Tocam jazz contemporâneo, algo entre um Sanseverino e um Andrew Bird na fase Thrills. A guitarra do sujeito é linda, a cerveja é cara, e o dono do bar, seu Nonô, se anuncia mal-humorado já no cardápio (algo que só se confirma uma vez que tente comprar uma cerveja no balcão com ele). E então, entre acordes e trovoadas, começa a chover, e muito. Vou pra casa ensopado, o All-Star fazendo aquele barulhinho de cama-velha-enquanto-se-transa-sobre-ela. Ah, o Rio de Janeiro. Ah, este bairro deliciosamente decadente da Glória: o Montmartre carioca.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:51 contato

OH, OS TEMPOS, ELES ESTÃO MUDANDO

18h00: Me preparo para sair de casa. Rever o maior filme do circuito carioca, na maior tela do circuito carioca - mas antes disso, uma passada na livraria, um papinho com um amigo. Na porta de casa, apressado, vejo uma abelha morta no chão. Não me lembro de vê-la zanzando pelos cômodos. E está ali, dura, com as perninhas pra cima, como se tivesse sido trucidada sem piedade. Prefiro não mexer nela. Visto a camisa enquanto bebo um gole d'água, confiro o cabelo no espelho, dou mais uma olhada na abelha trucidada, e saio.

21h20: Volto para casa. Na mochila, o peso dos quatro livros adquiridos, e nas mãos um tanto de sacolas de supermercado, com leite, ovos, arroz e pão de queijo. Desfaço as compras, guardo tudo em seus respectivos armários, e já aproveito as sacolas para recolher a abelha morta no chão e trocar o lixo da cozinha. E, bem, já não havia abelha morta no chão.

Flashback - 19h30: Seqüência de apresentação do personagem de Mark Walbergh em Fim dos Tempos, um professor de ciências numa high school. Lê-se no quadro negro uma citação atribuída à Albert Einstein: "Se as abelhas desaparecessem da superfície do globo, então a humanidade teria pela frente apenas mais quatro anos de vida."

21h21: Putz, fodeu.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:38 contato

1.7.08

Bis Terça-feira à noite, fria como o diabo. Uma taça de cabernet franc, um livro do Serge Daney, Maiden Voyage, obra-prima de 1965 do Herbie Hancock e os pés enrolados no cobertor. Sentirei saudades desse espírito acadêmico.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:54 contato

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