Passado
atual

|
Passado
|
30.6.08Acelerou, acelerou No original, em inglês, A Hard Day's Night. No Brasil, Os Reis do Iê-iê-iê. Em Portugal, perdoai-vos Santa Guadalupe da Imaculada Titulação: As Quatro Cabeleiras do Após Calypso.
Allez le noir Vendo "Stress", o clipe novo do Justice (no MySpace deles), com a memória de um filme de ação muito bom e bastante vagabundo chamado B13 - 13º distrito (que passava no Telecine volta e meia), e ainda sem ter visto os produtos-culturais-de-alto-valor-intelectual Entre Les Murs (o vencedor de Cannes) e O Segredo do Grão, fico com a impressão que é na expressão mais popular - e, sobretudo, mais iminentemente física, vide a câmera de "Stress", cuja natureza se transforma ao longo do clipe, e a utilização de técnicas do Le Parkour, e não o clássico kung-fu ou qualquer arte marcial oriental, no B13 - que melhor tem se falado sobre a segregação racial entre franceses e imigrantes, coisa que mês sim, mês não, vemos estourar no jornal em mais uma onda de carros queimados ou lojas destruídas.
27.6.08Rio 17 graus Chega o inverno, as banquinhas na rua empilhadas daquelas caixinhas, e eu não resisto. Fiz um pote cheio de geléia de morango na segunda-feira, e hoje ele já está pelo fim. No dial, Bill Evans, os 18 discos que ele lançou pelo selo da Verve. Moleton dos pés a cabeça. Livros e livros, páginas em branco a serem preenchidas. É isso: geléia de morango, Bill Evans, filmes em preto-e-branco, livros de cinema. Eis a overdose de um sujeito careta.
26.6.08PORVIR
23.6.08O fim está próximo Sonny Rollins vem ao Tim Festival. Depois do show, em outubro, todo cuidado com o apocalipse, ok?
22.6.08Ironia Mon Amour O Grande Prêmio da França de Fórmula 1 é disputado no circuito de Magny-Cours. E Magny-Cours fica em Nevers. Nevers, na França.
21.6.08COBERTURA DO 3º CINEOP - MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
19.6.08Amigo é pra essas coisas, ah... Num post em seu blog, Vitor Graize, desses caras com quem eu estarei jogando bocha no asilo, aos 95 anos, me fez chorar no meio da sala de imprensa do festival de Ouro Preto. Isso não se faz, hein, Vitor!
13.6.08Que tipo de idiota termina um namoro justo no Dia dos Namorados, no meio de uma comemoração que tinha tudo para terminar em uma grande celebração da relação recém-firmada? Eu.
11.6.08Filosofia de rede-de-deitar Escrever uma monografia é muito parecido com, digamos, estar grávido (e falo por experiência própria, que o digam essas quatro crianças remelentas que pari, destruindo aquele corpo delgado que eu tinha na juventude, moleques mal-criados que ficam aqui zanzando em volta do computador, mal me deixando postar). Enfim, como estar grávido: é um mundo de pequenas dores, de uma ligeira invalidez (há dias em que simplesmente não se pode levantar da cadeira, não se pode abandonar a escrivaninha: é preciso convalescer sobre os livros). E, na outra ponta da experiência, um mundo de prazeres secretos finalmente saciados sem o constrangimento e a repressão de antes. Agora, por exemplo: escapando sem cerimônias do Jacques Aumont que não me deixa dormir em paz, na quebra entre o penúltimo e o último capítulo do livro, vamos à realização do desejo mesquinho e humano, tão demasiadamente humano. Deitado na rede, computador no colo, lata de cerveja aberta, uma porção de calabresa e cebola fritas no prato, aprontada com os restos do jantar de ontem, um jogo de futebol divertido na tevê. Chego quase a desejar que essa criança demore um pouco mais a nascer: que alegres e deliciosamente inúteis são estas noites de "folga".
8.6.08CONFISSÕES DE UM INCENDIÁRIO
4.6.08Prince canta Creep, ou "Parem de destruir meus sonhos adolescentes".
3.6.08QUATRO NOVAS CRÍTICAS
Os últimos dias Vim à Vitória numa passagem inicialmente relâmpago, só para uma consulta com meu psiquiatra, a renovação das receitas médicas e a garantia de comprimidos milagrosos pelos próximos dois meses, mas essa cidade tem sobre mim um apelo insuperável. Fui ficando, um amigo fazia aniversário aqui. Fui ficando, outro amigo se despedia da turma rumo à Angola acolá. Fui ficando, e como não podia me desviar do caminho do bem (leia-se: terminar minha monografia de graduação), e como na casa dos meus pais eu só faço ver reprises de Gilmore Girls e comer a profusão de bolos e docinhos que sempre fazem pra tentar me convencer a voltar a morar aqui, passei os últimos 6 dias na lindíssima Biblioteca da Ufes, minha antiga universidade. Eu e essa biblioteca temos uma história, como praticamente todos os lugares que visito aqui em Vitória: alguma coisa sempre começou ou terminou ali, alguma aventura, algum trauma, muitas alegrias, alguns porres. Nessa biblioteca eu já comecei um namoro, já consumei um outro (ok, atire a primeira pedra quem não curte a adrenalina da sacanagem em lugares públicos). Ali eu li Giovanni, do James Baldwin, pela primeira vez, e por causa da boa coleção de livros de cinema disponíveis, pude fingir que não cursava jornalismo por muitos semestres, até que decidisse finalmente abandonar o curso, e as visitas quase diárias àquele lugar. Há três anos eu não entrava ali, e agora eu não quero mais sair. Vou dedicar minha monografia a essa biblioteca.
No seu dial Sexta-feira eu estava terminando de executar uma baliza complicadíssima (dois carros muito mais caros que o meu estacionados bem próximos, e um espaço entre eles onde só muita habilidade - ou 10 minutos de manobras - me fariam caber à perfeição). Quando finalmente termino a série de exercícios físicos no volante, ainda na adrenalina e na tensão de pensar em checar se aquele barulho que ouvi não era uma leve batida no Audi da frente, me ligam. "Alô, Rodrigo de Oliveira? Aqui é da Rádio MEC.". Sem pensar duas vezes, respondo sem nem mesmo dar bom dia à moça: "Puxa, quem morreu?". Nos 5 nanosegundos entre o pensamento e a pergunta que fiz, lembrei que da última vez que haviam me ligado era para comentar, num dos programas deles, a morte do Antonioni - que, à altura da ligação, eu nem sabia que havia morrido. Ainda nestes 5 nanosegundos, pensei que era tarde demais para que me pedissem para discorrer sobre o recém-falecido Sidney Pollack, e nestes mesmos nanosegundos me dei conta que poderia passar horas falando da atuação dele no De Olhos Bem Fechados, mas que sobre a carreira dele eu só teria dois ou três destaques a comentar: não é de bom-tom falar que um morto recente era um diretor entre o medíocre e o eficiente. Pois 5 nanosegundos, graças a Deus, passam bem rápido, e a moça no telefone logo me disse que ninguém havia morrido, e que estava me convidando para comentar alguns destaques do circuito comercial num programa chamado "No Escurinho do Cinema", toda semana eles chamam um crítico pra fazer isso. A coisa foi ao ar às dez pra uma da tarde, e em se tratando de Rádio MEC, não só a música que me precedeu era do Ataulfo Paiva, como os 5 minutos iniciais se transformaram em 17, onde a apresentadora e eu ficamos batendo papo sobre O Tempo e o Lugar, Falsa Loura e Cleópatra. Cineastas velhinhos e/ou doentes: favor não morrer. Prefiro falar sobre filmes, ok?
|