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4.7.08

Vendredi soir Um amigo que há muito não vejo liga dizendo que descobriu um barzinho numa ladeira aqui do lado de casa, onde rola uma bandinha de jazz ao vivo. "Eles estão no intervalo, vem pra cá". É um ambiente pequeno, boteco em que os músicos mal cabem lá dentro, e a fila do banheiro se dá em frente à bateria (é de se pensar quantas vezes uma pessoa apertada não foi atingida sem querer pela baqueta do pobre músico). No centro daquilo que chamam de palco, diversos badulaques ostentam um retrato de Zé Bonitinho em Abismu, meu filme preferido do Mr. Sganzerlá. A banda deve ter um nome, mas eu nunca o saberei. Tocam jazz contemporâneo, algo entre um Sanseverino e um Andrew Bird na fase Thrills. A guitarra do sujeito é linda, a cerveja é cara, e o dono do bar, seu Nonô, se anuncia mal-humorado já no cardápio (algo que só se confirma uma vez que tente comprar uma cerveja no balcão com ele). E então, entre acordes e trovoadas, começa a chover, e muito. Vou pra casa ensopado, o All-Star fazendo aquele barulhinho de cama-velha-enquanto-se-transa-sobre-ela. Ah, o Rio de Janeiro. Ah, este bairro deliciosamente decadente da Glória: o Montmartre carioca.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:51 contato

OH, OS TEMPOS, ELES ESTÃO MUDANDO

18h00: Me preparo para sair de casa. Rever o maior filme do circuito carioca, na maior tela do circuito carioca - mas antes disso, uma passada na livraria, um papinho com um amigo. Na porta de casa, apressado, vejo uma abelha morta no chão. Não me lembro de vê-la zanzando pelos cômodos. E está ali, dura, com as perninhas pra cima, como se tivesse sido trucidada sem piedade. Prefiro não mexer nela. Visto a camisa enquanto bebo um gole d'água, confiro o cabelo no espelho, dou mais uma olhada na abelha trucidada, e saio.

21h20: Volto para casa. Na mochila, o peso dos quatro livros adquiridos, e nas mãos um tanto de sacolas de supermercado, com leite, ovos, arroz e pão de queijo. Desfaço as compras, guardo tudo em seus respectivos armários, e já aproveito as sacolas para recolher a abelha morta no chão e trocar o lixo da cozinha. E, bem, já não havia abelha morta no chão.

Flashback - 19h30: Seqüência de apresentação do personagem de Mark Walbergh em Fim dos Tempos, um professor de ciências numa high school. Lê-se no quadro negro uma citação atribuída à Albert Einstein: "Se as abelhas desaparecessem da superfície do globo, então a humanidade teria pela frente apenas mais quatro anos de vida."

21h21: Putz, fodeu.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:38 contato

1.7.08

Bis Terça-feira à noite, fria como o diabo. Uma taça de cabernet franc, um livro do Serge Daney, Maiden Voyage, obra-prima de 1965 do Herbie Hancock e os pés enrolados no cobertor. Sentirei saudades desse espírito acadêmico.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:54 contato

30.6.08

Acelerou, acelerou No original, em inglês, A Hard Day's Night. No Brasil, Os Reis do Iê-iê-iê. Em Portugal, perdoai-vos Santa Guadalupe da Imaculada Titulação: As Quatro Cabeleiras do Após Calypso.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 18:47 contato

Allez le noir Vendo "Stress", o clipe novo do Justice (no MySpace deles), com a memória de um filme de ação muito bom e bastante vagabundo chamado B13 - 13º distrito (que passava no Telecine volta e meia), e ainda sem ter visto os produtos-culturais-de-alto-valor-intelectual Entre Les Murs (o vencedor de Cannes) e O Segredo do Grão, fico com a impressão que é na expressão mais popular - e, sobretudo, mais iminentemente física, vide a câmera de "Stress", cuja natureza se transforma ao longo do clipe, e a utilização de técnicas do Le Parkour, e não o clássico kung-fu ou qualquer arte marcial oriental, no B13 - que melhor tem se falado sobre a segregação racial entre franceses e imigrantes, coisa que mês sim, mês não, vemos estourar no jornal em mais uma onda de carros queimados ou lojas destruídas.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:11 contato

27.6.08

Rio 17 graus Chega o inverno, as banquinhas na rua empilhadas daquelas caixinhas, e eu não resisto. Fiz um pote cheio de geléia de morango na segunda-feira, e hoje ele já está pelo fim. No dial, Bill Evans, os 18 discos que ele lançou pelo selo da Verve. Moleton dos pés a cabeça. Livros e livros, páginas em branco a serem preenchidas. É isso: geléia de morango, Bill Evans, filmes em preto-e-branco, livros de cinema. Eis a overdose de um sujeito careta.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:48 contato

26.6.08

PORVIR

O irmão mais velho: 3 anos de Jornalismo, mais 4 anos de Cinema. Filmes concluídos no currículo: zero.
O irmão do meio: 2 anos de Desenho Industrial, 6 meses num curso de Moda. Filmes concluídos no currículo: um.

(mas pelo menos foi comigo que ele aprendeu a ouvir Radiohead)


Porvir, um filme de Harrison Medeiros

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:11 contato

23.6.08

O fim está próximo Sonny Rollins vem ao Tim Festival. Depois do show, em outubro, todo cuidado com o apocalipse, ok?
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:00 contato

22.6.08

Ironia Mon Amour O Grande Prêmio da França de Fórmula 1 é disputado no circuito de Magny-Cours. E Magny-Cours fica em Nevers. Nevers, na França.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 17:03 contato

21.6.08

COBERTURA DO 3º CINEOP - MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

Cinco dias na belíssima cidade histórica mineira, um tanto de filmes, e este punhado de textos aí embaixo. Aos que não leram antes (na correria, acabei esquecendo de postar as atualizações aqui), ficam os links.

Dia 1: O sampleamento de uma nação (sobre a cerimônia de abertura do CineOP)

Dia 2: Diário de Sintra, de Paula Gaitán

Dia 2: Estafeta - Luiz Paulino dos Santos, de André Sampaio

Dia 2: Notas sobre Os Desafinados, de Walter Lima Jr.

Dia 3: O primeiro debate (leve decepção, extrema emoção, e a voz de Helena Ignez)

Dia 3: Tonacci fala

Dia 4: Nossa Vida Não Cabe Num Opala, de Reinaldo Pinheiro, e Fronteira, de Rafael Conde

Dia 5: Margem, de Maya Da-Rin, e os mineiros Isto É Meu e Morrerá Comigo, de Fábio Carvalho e Tomba Homem, de Gibi Cardoso


Plano final de Diário de Sintra, de Paula Gaitán

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 22:09 contato

19.6.08

Amigo é pra essas coisas, ah... Num post em seu blog, Vitor Graize, desses caras com quem eu estarei jogando bocha no asilo, aos 95 anos, me fez chorar no meio da sala de imprensa do festival de Ouro Preto. Isso não se faz, hein, Vitor!
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 15:18 contato

13.6.08

Que tipo de idiota termina um namoro justo no Dia dos Namorados, no meio de uma comemoração que tinha tudo para terminar em uma grande celebração da relação recém-firmada? Eu.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 03:17 contato

11.6.08

Filosofia de rede-de-deitar Escrever uma monografia é muito parecido com, digamos, estar grávido (e falo por experiência própria, que o digam essas quatro crianças remelentas que pari, destruindo aquele corpo delgado que eu tinha na juventude, moleques mal-criados que ficam aqui zanzando em volta do computador, mal me deixando postar). Enfim, como estar grávido: é um mundo de pequenas dores, de uma ligeira invalidez (há dias em que simplesmente não se pode levantar da cadeira, não se pode abandonar a escrivaninha: é preciso convalescer sobre os livros). E, na outra ponta da experiência, um mundo de prazeres secretos finalmente saciados sem o constrangimento e a repressão de antes. Agora, por exemplo: escapando sem cerimônias do Jacques Aumont que não me deixa dormir em paz, na quebra entre o penúltimo e o último capítulo do livro, vamos à realização do desejo mesquinho e humano, tão demasiadamente humano. Deitado na rede, computador no colo, lata de cerveja aberta, uma porção de calabresa e cebola fritas no prato, aprontada com os restos do jantar de ontem, um jogo de futebol divertido na tevê. Chego quase a desejar que essa criança demore um pouco mais a nascer: que alegres e deliciosamente inúteis são estas noites de "folga".
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:47 contato

8.6.08

CONFISSÕES DE UM INCENDIÁRIO
ou Minha Monografia é sobre Carros em Chamas



Weekend, de Jean-Luc Godard (1967)


A Via Láctea, de Luis Buñuel (1969)


Bang Bang, de Andrea Tonacci (1970)

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 21:58 contato

4.6.08

Prince canta Creep, ou "Parem de destruir meus sonhos adolescentes".
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 10:43 contato

3.6.08

QUATRO NOVAS CRÍTICAS

Estão no ar já, na Contracampo, quatro textos meus sobre filmes em cartaz. Primeiro, uma reformulação de Falsa Loura, texto que tinha escrito à época do Festival de Tiradentes e que ampliei agora, depois de uma revisão (candidato sérissimo a estar entre os meus filmes preferidos, no fim do ano). E ainda dois filmes brasileiros: a decepção de Eduardo Escorel, O Tempo e o Lugar, e o filme ruim mas francamente instigante do Miguel Falabella, Polaróides Urbanas. E por último, a pequena jóia dos irmãos Wachowski, Speed Racer.

Leiam lá.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 10:06 contato

Os últimos dias Vim à Vitória numa passagem inicialmente relâmpago, só para uma consulta com meu psiquiatra, a renovação das receitas médicas e a garantia de comprimidos milagrosos pelos próximos dois meses, mas essa cidade tem sobre mim um apelo insuperável. Fui ficando, um amigo fazia aniversário aqui. Fui ficando, outro amigo se despedia da turma rumo à Angola acolá. Fui ficando, e como não podia me desviar do caminho do bem (leia-se: terminar minha monografia de graduação), e como na casa dos meus pais eu só faço ver reprises de Gilmore Girls e comer a profusão de bolos e docinhos que sempre fazem pra tentar me convencer a voltar a morar aqui, passei os últimos 6 dias na lindíssima Biblioteca da Ufes, minha antiga universidade. Eu e essa biblioteca temos uma história, como praticamente todos os lugares que visito aqui em Vitória: alguma coisa sempre começou ou terminou ali, alguma aventura, algum trauma, muitas alegrias, alguns porres. Nessa biblioteca eu já comecei um namoro, já consumei um outro (ok, atire a primeira pedra quem não curte a adrenalina da sacanagem em lugares públicos). Ali eu li Giovanni, do James Baldwin, pela primeira vez, e por causa da boa coleção de livros de cinema disponíveis, pude fingir que não cursava jornalismo por muitos semestres, até que decidisse finalmente abandonar o curso, e as visitas quase diárias àquele lugar. Há três anos eu não entrava ali, e agora eu não quero mais sair. Vou dedicar minha monografia a essa biblioteca.


Um exercício da disciplina de fotografia nos idos de 2003, Vitor Graize na câmera que aparece,
Rodamelo na câmera que tirou essa foto, eu e meu cabelo grande posando ali no canto direito,
e a biblioteca da Ufes lá no fundo
.

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 09:52 contato

No seu dial Sexta-feira eu estava terminando de executar uma baliza complicadíssima (dois carros muito mais caros que o meu estacionados bem próximos, e um espaço entre eles onde só muita habilidade - ou 10 minutos de manobras - me fariam caber à perfeição). Quando finalmente termino a série de exercícios físicos no volante, ainda na adrenalina e na tensão de pensar em checar se aquele barulho que ouvi não era uma leve batida no Audi da frente, me ligam. "Alô, Rodrigo de Oliveira? Aqui é da Rádio MEC.". Sem pensar duas vezes, respondo sem nem mesmo dar bom dia à moça: "Puxa, quem morreu?". Nos 5 nanosegundos entre o pensamento e a pergunta que fiz, lembrei que da última vez que haviam me ligado era para comentar, num dos programas deles, a morte do Antonioni - que, à altura da ligação, eu nem sabia que havia morrido. Ainda nestes 5 nanosegundos, pensei que era tarde demais para que me pedissem para discorrer sobre o recém-falecido Sidney Pollack, e nestes mesmos nanosegundos me dei conta que poderia passar horas falando da atuação dele no De Olhos Bem Fechados, mas que sobre a carreira dele eu só teria dois ou três destaques a comentar: não é de bom-tom falar que um morto recente era um diretor entre o medíocre e o eficiente. Pois 5 nanosegundos, graças a Deus, passam bem rápido, e a moça no telefone logo me disse que ninguém havia morrido, e que estava me convidando para comentar alguns destaques do circuito comercial num programa chamado "No Escurinho do Cinema", toda semana eles chamam um crítico pra fazer isso. A coisa foi ao ar às dez pra uma da tarde, e em se tratando de Rádio MEC, não só a música que me precedeu era do Ataulfo Paiva, como os 5 minutos iniciais se transformaram em 17, onde a apresentadora e eu ficamos batendo papo sobre O Tempo e o Lugar, Falsa Loura e Cleópatra. Cineastas velhinhos e/ou doentes: favor não morrer. Prefiro falar sobre filmes, ok?
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 09:38 contato

20.5.08

EU PODERIA FACILMENTE ME ACOSTUMAR A...

1) Escrever, em primeiras-páginas de livros, dedicatórias carinhosas para pessoas que desconheço;
2) Sair desiludido de um lançamento, tendo recebido o placar parcial do jogo numa mensagem de texto, cruzar a Cinelândia no começo do segundo tempo e ouvir um grito de gol, e meia hora depois sair do bar levemente embriagado e com um 2 a 1 de virada.

Mas:

1) Sou crítico de cinema;
2) Sou botafoguense.

Façam vocês a matemática.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:07 contato

16.5.08

AGORA FALTA PLANTAR UMA ÁRVORE (E TER UM FILHO*)



Saiu do forno, finalmente, minha primeira contribuição escrita para um livro. É o pocket-book "Serras da Desordem", reunião de 5 artigos e mais uma longa entrevista com o diretor da obra-prima homônima, Andrea Tonacci. Estou muito bem acompanhado nos artigos por Ismail Xavier, Luiz Alberto Rocha Melo, Clarice Cohn, além do Daniel Caetano, que é também o organizador dessa coletânea. Convite para o lançamento feito, terça-feira que vem os leitores cariocas desta Casa façam o favor de aparecer por lá. Ganharão um exemplar autografado e uma cerveja (que, eu espero, caia na conta da editora).

Até lá!

(*Minha mãe, leitora recente deste blog, me falou preocupada, hoje [domingo], que o ditado popular é "escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho". Perguntou se eu já tinha um filho por aí e não tinha avisado pra ela. Daí o adendo no título do post. Nenhum Rodrigo Jr. espalhado por aí, por enquanto.)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 17:40 contato

15.5.08

Grands soirs & petits choses Dizem que envelhecer é isso, né. Mas estou aqui a alguns minutos de voltar aos livros e jantando, depois de 4 anos de vida forno-e-fogão, o melhor e mais perfeito omelete que já fiz. Ricota amassada, cenoura ralada, um pouco de cebola, leite, dois ovos caipiras, um pouco de maizena e manteiga, manjericão e pimenta-do-reino, e um jogo de eficiência e contenção na hora de dourar os lados e virar o omelete que eu vou te contar, viu... Ficou do tamanho de um prato, douradinho, consistente, bem cozido, lindo.

(Em algumas civilizações orientais, posts como este são proibidos pelas leis da moral e da anti-viadagem. 50 chibatadas, eles dizem.)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 19:46 contato

11.5.08

Dimanche Dilynch Essa friaca que está fazendo no Rio, um fim de semana passado todo em casa, de moleton da cabeça aos pés, em que me dou o direito de só tomar um banho de gato, rapidinho, e aí no dia seguinte o sujeito acorda cedinho pra ver a corrida de Fórmula 1 e quando se olha no espelho, bah, seu cabelo está igualzinho ao cara do Eraserhead.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 09:55 contato

9.5.08

PROGRAMADORA BRASIL

Lançado no último Cine PE, o catálogo de filmes da Programadora Brasil é um grande projeto do Ministério da Cultura de divulgação e recuperação de obras do cinema brasileiro, disponibilizando em DVD um número cada vez maior de filmes (muitos deles invisíveis até então) para cineclubes, pontos de cultura, escolas, universidades, ONGs e centros culturais que façam parte da rede de divulgação cultural que o MinC armou país afora nos últimos anos. O grande barato é que junto de cada DVD (ou “programa”, como eles chamam, que podem conter um longa-metragem, um longa e um curta ou uma série de curtas) eles encartam um folheto com informações técnicas dos filmes e um texto crítico, porque a idéia é que os filmes não só sejam vistos, mas discutidos por onde quer que sejam exibidos, e este texto crítico pode servir de começo para a conversa. Tive a honra de participar do programa este ano, num time de críticos do país inteiro (éramos 7, se não me engano). Com o lançamento do catálogo de 2008, eles disponibilizaram os textos no site da Programadora, e listo as minhas contribuições aí embaixo:

A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti + Durval Discos, de Anna Muylaert

O Diário Aberto de R. + Houve Uma Vez Dois Verões, de Caetano Gotardo e Jorge Furtado

Histórias do Cinema Brasileiro (com os curtas Cine Holiúdy, Como Se Morre no Cinema, O Homem do Morcego, Roberto e Simião Martiniano), de Halder Gomes, Luelane Corrêa, Ruy Solberg, Amílcar Claro, Clara Angélica e Hilton Lacerda

Brasa Adormecida, de Djalma Limongi Batista

O Último Raio de Sol + O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas, de Bruno Torres e Paulo Caldas/Marcelo Luna

A Lira do Delírio, de Walter Lima Jr.


O fantasma tristonho de Peréio paira sobre o carnaval de rua na obra-prima A Lira do Delírio

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:10 contato

TEXTOS (NÃO TÃO) NOVOS NA CONTRACAMPO

Com o turbilhão dos últimos meses, tenho sido bastante relapso na divulgação dos meus trabalhos, mas vamos lá retomando a coisa. Como sabem, a edição 91 da Contracampo está no ar já há algum tempo, e nos artigos estão presentes duas entrevistas que fiz em Tiradentes, uma com Carlão Reichenbach (essa feita junto do amigo Luiz Carlos Jr.) e outra com Ivo Lopes Araújo. No DVD/VHS, cuja pauta da edição eram os filmes que a revista não cobriu enquanto estiveram em cartaz, contribuo com textos sobre Em Direção ao Sul, de Laurent Cantet, Lady Vingança, de Park Chan-Wook, O Magnata, de Johnny Araújo, A Pele, de Steven Shainberg e finalmente Transylvania, do Tony Gatlif.

E nas críticas que estão no ar, três coisas que escrevi recentemente: Jumper, do Doug Liman, Ponto de Vista, do Pete Travis e Elizabeth – A Era de Ouro, do Shekar Kapur.

Leiam lá.

O ventre fecundado à caneta de Asia Argento, numa das cenas mais bonitas de Transylvania

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:09 contato

Revolução dos Bichos Acordei cedo hoje, fui comprar o jornal antes do café. Na porta do meu prédio tinha uma galinha. Eu disse "Bom dia!", ela retrucou "Bom pra quem?", e eu segui meu rumo. Acho que acordei cedo demais.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 08:54 contato

O que é que há, velhinho? Eu sempre costumava responder à perguntas do tipo "por que você faz cinema?" ou "como é estudar isso?" com grandes elucubrações sobre o fazer e pensar artístico e tudo o mais que fosse necessário para levar à cama aquele que perguntasse isso. Mas agora, mesmo correndo o risco de não impressionar tanto assim, preciso mudar a resposta: é porque, no fim de um dia cheio de leitura teórica enjoada, eu preciso assistir Duck Amuck, a pequena obra-prima de Chuck Jones, para poder citá-la na minha monografia. And that's all, folks.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:55 contato

8.5.08

Clin d'oeil e outras travessuras O sujeito está há uma semana mergulhado em filmes de terror e/ou fantásticos pela noite, revisões cronológicas da obra de Godard na madrugada, livros e anotações de fundo monográfico-graduacional durante o dia inteiro, com cloxazolam e cloridrato de fluoxetina batendo na cabeça. Então vai fazer seu jantar, antes de seguir com o próximo capítulo daquele livro chato-mas-necessário. Enquanto o risoto de frango vai cozinhando ali no fogão, o sujeito decide ralar uma cenoura, fazer uma salada e tal. E aí, sem que nada antecipasse seu pensamento ou qualquer freio pudesse existir entre seu cérebro e suas mãos, o sujeito pensa honestamente, como se algo sensato e concreto fosse: "Hum, por que não ralar esta cenoura na velocidade 5 do Créu?". E depois de colocar o band-aid no dedo acidentalmente ralado junto do vegetal, o sujeito ainda busca restos da brincadeira no teto, na pia, nas paredes e em lugares onde o sol não alcança.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:56 contato

Há um futuro A resposta da ministra Dilma Rouseff ao senador José Agrippino sobre a mentira dita sob tortura é, disparado, o momento mais arrepiante do ano (da política, da arte, da vã filosofia, das cotidianidades, da página policial, de tudo isso e todo o resto). É bom saber, tão cedo no processo, que o presidente Lula tem uma sucessora desse grandeza.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:32 contato

2.5.08

A MEMÓRIA DAS MÃOS


Areia, do Caetano Gotardo

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 17:33 contato

30.4.08

E ENTÃO VEIO A ONDA...

Os filmes (alguns bastante ruins) costumam atribuir ao road-movie e ao deslocamento pela estrada um tipo de sensação quase automática de transformação em processo, do flagrante de um momento em que aquilo que era deixa de ser em nome de uma outra coisa, e depois desta minha última semana, fico pensando se não se fariam filmes melhores sobre este mesmo sentimento se não fossem as viagens, mas os amores de verão, o mote para todos estes dramas da transitoriedade. Eles, os amores de verão, também se demarcam por viagens, e meu romance só existiu porque fui passar uns dias em Vitória, e só terminou porque precisei eventualmente voltar ao Rio. Mas não é a experiência horizontal da estrada que está em jogo, nem tampouco o acúmulo daquilo que margeia o caminho sobre aqueles que seguem por ele. Mais que tudo, não há qualquer possibilidade de abertura do destino, do transtorno dos planos iniciais e a supressão dos mapas, dos paradeiros, nada disso. Um amor de verão só pode nascer porque já sabe que acabará logo adiante, e é o mais próximo que nós podemos chegar da experiência do tempo em sua dimensão quântica: num amor de verão, uma semana pode sim significar uma vida, quatro encontros podem se multiplicar em quatro milhões, um beijo, por mais simples que seja, ganha imediatamente estatura histórica. Quanta memória se pode guardar de um piscar de olhos? Quanto tempo de permanência no coração pode ter um estalar de dedos? E, no entanto, eles estalam, e é dessa música que você nunca mais vai se esquecer, não importa quantos invernos vierem depois dele.

Ó, olha só... Tá ouvindo?
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:18 contato

29.4.08

Mas cuidado, a brincadeira pode causar... O sujeito acorda no dia seguinte a um porre de muita cerveja e aquela cachaça especial que seu pai lhe deu de presente, e que ele levou para a casa dos amigos num cantilzinho de metal feito aqueles dos filmes. Chegou em casa sem saber como, dormiu sem saber que horas, acordou sem lembrar quem era. Com 5 minutos de olhos abertos, até já consegue recordar o nome, o lugar em que está, quem são aquelas pessoas que lhe dão "bom dia" e insistem que tome bastante água. Mas o diabo é que, depois de muito se questionar, é só lá pelas 2 horas da tarde que finalmente consegue explicar aquela dor absurda que sente nas dobras dos dedos da mão direita, que estão completamente roxas e inchadas: tocava-se um sambinha na festa do dia anterior, e o sujeito embriagado inventou de tocar o tamborim in natura, sem baqueta, só com a mão. Ah, tá.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:40 contato

26.4.08

The later parade Essas paixões novas e arrebatadores costumam te fazer querer ser uma pessoa melhor. Ou, diante da impossibilidade de sê-lo (no meu caso), pelo menos ter cuecas melhores.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 09:18 contato

25.4.08

Hoje, em A Gazeta Saiu uma críticazinha minha sobre o Chega de Saudade, que estréia aqui no Espírito Santo só agora. Mas a felicidade maior foi dividir o mesmo Caderno Dois com a notícia da seleção de Areia, obra-prima em curta-metragem do queridíssimo Caetano Gotardo, para abrir a Semana da Crítica do próximo Festival de Cannes. Anotem aí o nome dessa cara, porque ele ainda fará grandes coisas no cinema. E nem é uma aposta, é uma certeza.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:09 contato

24.4.08

A grande armadura negra Pior que um amor de verão é um amor de fim de verão. É quando se prova, cientificamente, que um dia (de ausência) pode durar uma eternidade. O resto é entregar na mão de Deus, que graças a Ele próprio, criou os cheiros que permanecem na roupa e as mensagens de texto via celular.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 23:49 contato

The Wonder Years, Days and Nights Sempre o pego na saída do trabalho, por volta das sete. Ele chega cansado, mas é só sorrisos quando entra no carro. Vamos pro alto de um morro, com vista para o mar, a lua, e a cidade toda que cresce luminosa do outro lado da baía. Faróis apagados, namorando no carro, ouvindo música baixinho, trocando carinhos, como nos filmes americanos.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 11:18 contato

23.4.08

Revoluções por minuto Acordei ontem de manhã com "The Greatest", da Cat Power, na cabeça. Música na linha desta "Pretty (Ugly Before)" aí embaixo, um suporte emocional que tipos como eu sempre recusaram, até o momento em que os anti-depressivos te fazem experimentar sensações que tu nem sabia possíveis antes, inclusive aquela de usar música como remédio adicional no tratamento. "Uma vez eu achei que poderia ser o máximo, nenhum vento ou queda d'água poderia me segurar, mas então veio a força da correnteza, estrelas da noite se transformando em poeira". O sujeito ouve isso e pensa: bah, será que meu analista andou conversando sobre meu caso com a Cat Power? Sabe, o tipo de frivolidade que eu nunca me permiti, mas que agora parece fazer tanto sentido. E então o que foi se estabelecendo ao longo do dia como o testamento involuntário dessa fortaleza que se descobre vulnerabilíssima acaba, durante a noite, se transformando na música-tema da relação mais saudável que inicio em anos. "The Greatest", quem diria, é também a trilha sonora perfeita para as três horas em que eu recebi os melhores beijos da minha vida.

(aqui, Cat Power ao vivo no Jools Holland)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 11:08 contato

21.4.08

Voltamos No começo deste blog, cinco anos atrás, tinha prometido pra mim mesmo - um tanto de brincadeira, é verdade - que o dia que minha presença numa Casa de Loucos se tornasse real, essa Casa virtual deixaria de existir. Verdade que o dia chegou, umas semanas atrás, mas abandonar isso aqui me parece um despropósito (ou, pelo menos, é o que me fez crer meu médico). Assim, voltamos. Cheios de assuntos, cheios de remédios, e com um pouco menos de meninice.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 06:59 contato

7.4.08



(para ouvir, aqui)
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 11:57 contato

5.4.08

A DOÇURA É SENHORA, DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM


De algum café uruguaio, Daniela me manda uma foto de auto-ajuda, num tempo em que ela me é bastante necessária.

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:49 contato

22.3.08

Dans la route Em algum lugar entre o Rio de Janeiro e Vitória, às duas e meia da madrugada de hoje, um cachorro cheirou a minha mala. E quisera eu estar falando em metáforas aqui, meus caros.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 12:23 contato

21.3.08

Summerday 3 da tarde de um feriado, a Praça XV deserta, até que cheguem alguns ônibus de viagem, trazendo turistas que caíram na história da comemoração dos 200 anos de chegada da Família Real por aqui. Vão tirar fotos do Paço Imperial, da Igreja, da estátua de D. Pedro em seu cavalo, e vão embora. Eu fico por ali, pra rever Senhores do Crime numa tela bem menor que o filme merece (mas que ainda assim não consegue diminuir sua grandeza). Na saída, o sol se pondo, as ruas desertas, e o compromisso de pegar outro filme às 6, lá no Catete. Parto à pé, e como me sobra tempo, pego o caminho mais longo, via Aterro do Flamengo. O centro do Rio em dia de feriado me lembra sempre Bang Bang. As ruas largas, os prédios formando um corredor, e os diversos cruzamentos: posso ver um sujeito andando à deriva por ali, até que encontre seu jipe estacionado, e uma equipe de cinema atrás dele, montada num carro, brincando de travelling. Parte fundamental da minha experiência urbana nos últimos seis meses, sigo andando e cantando alto Emily, da Joanna Newsom, que a essa altura já sei de cor (12 minutos é o tempo da música, e o tempo exato entre o cineminha do Paço e o MAM). O dia era daqueles que nos obrigam à conformação com a nossa pequenez (física, até: nada menos que dois arco-íris saindo detrás dos letreiros antigos da Vasp no Santos Dumont). A praia está lotada, e ali bate água da Baía da Guanabara, mas o pessoal não parece se importar muito com isso. Na hora de atravessar o Aterro e finalmente chegar no cineminha do Museu da República, faltando ainda meia hora pra começar a sessão, fico observando uma molecada jogar basquete. Meia hora de folga, e pelo menos 5 anos de diferença entre mim e o menino mais velho em quadra, e achei que poderia dar uma suadinha rápida antes do filme do Honoré. Entrei no time de fora, mas quando chegou a minha vez, já não eram mais meninos. Com a marmanjada toda preparada e eu de sandália (jogar descalço no chão quente dá essa bolha que tenho agora no dedão do pé), blusa de botão, bermuda grossa, celular e mp3player no bolso, fui na raça - e na pura falta de senso. Toda vez que o pé ameaçava doer, eu pegava a bola, partia pra dentro y ya está, balón al cesto. Um masoquismo de ocasião, mas provavelmente é disso que são feitos os cestinhas de ocasião. Jogo três partidas seguidas de 25 pontos (todas elas indo pro desempate de mais 10 pontos). Tudo bem que eu acertava minhas bolinhas, mas o cara mais alto da quadra tava no meu time, e ainda que fosse um pivô pouco treinado, ninguém ganhava dele no garrafão. Camisa ensopada, e a essa altura eu só queria conseguir andar de volta pra casa sem precisar tomar um táxi, ou uma ambulância. Perdemos uma, finalmente, depois de uma hora e meia direto. Essas reuniões em quadra pública são sempre maneiras, um bando de gente de quem nem desconfio a existência diária, mas que ali formam um grupo que reconheço desde que comecei a jogar basquete, ainda moleque. Sempre tem um branquinho muito mais baixo que a média (hoje eram dois), um negão com filho e/ou sobrinho, pivôs de boné para trás, uma bicha, uns moleques magrelos de óculos, dois ou três perebas esforçados, um pereba arrogante, que sabe que está estragando um time mas insiste em ficar (geralmente essa é o dono da bola), caras de topete com gel que combinam o calção com a cor do tênis, além da criançada que fica em volta assistindo. E, de agora em diante, toda sexta e sábado a partir das 5 da tarde, deve ter eu também. De tênis verde escuro. E uma bermuda meio musgo. Tom sobre tom, né.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:40 contato

Feriadão Geral já preparando o churrascão na laje, a cerveja gelando no tonel de plástico azul, as crianças preocupadas que o ovo só chega no domingo, mas o mundo não pode parar, né? Então deixa um estagiário na redação da Globo.com cobrindo o feriado da galera. Melhor: deixa ele lá sem um editor por perto, e diz que ele tem uma cota de 20 matérias para postar no site antes do meio-dia. E, pra melhorar, diz que ele vai ficar de olho do BBB, e que cada espiadinha precisa virar uma manchete - manchete chamativa, bem entendido, porque tá cheio de gente querendo saber o que anda acontecendo na casa mais pede pra morrer vigiada do Brasil.


Estagiários, go home
(aqui)

posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 10:57 contato

AGORA A POUCO, NO INTERCINE


River tocando guitarra, feelin' the beat


Nunca vi Conta Comigo na versão original. A dublagem acaba sendo parte tão presente na memória quanto o filme em si (em algum momento, o Corey Feldman diz: "catapimba!"). Aquele mesmo som abafado, anulação total do ambiente em nome das vozes, sempre ocas e anasaladas. O gordinho (que enterra a garrafa com níqueis) tem a mesma voz do filho dos Jetsons, a do River Phoenix é a mesma do Seiya de Cavaleiros do Zodíaco - e que significados obscuros o garoto de 8 anos que eu um dia fui tirava disso.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 02:47 contato

19.3.08

Deu a lógica Num paredão de cartas marcadas, onde só se completa um programa de uma hora se 15 minutos dela forem dedicados às saudades do Dr. Marcelo (casal preferido de Boninho/Bial no BBB8: Rafinha e Marcelo, obviamente), em que todo esforço de edição é para tentar desfibrilar participantes pra-lá-de-Marrakesh, num paredão desses deu a lógica: quando rolou a eliminação do Juninho Play, eu cochilava gostosamente, sem culpa nenhuma.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 00:23 contato

18.3.08

Stand-up Um pereba. Esforçado, bom de corrida, boa visão do jogo, passes bem colocados, chutes de média potência no mais das vezes certeiros, mas ainda assim um pereba. Mas é na beira da quadra, tomando uma água enquanto os amigos ainda se esfalfam para tentar vencer uma pelada contra um pessoal especialista (Cinema 2 x 42 Educação Física, em uma hora de jogo), enfim, é na beira da quadra, comentando todos os lances com aquele sarcasmo peculiar e sempre inteligente, é ali que eu tenho mais certeza que sou engraçado pracaráleo. O que, como bem diz um amigo capixaba, é típico de quem foi uma criança gorda.
posted by RODRIGO DE OLIVEIRA 20:39 contato

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